Acabo de publicar o meu primeiro livro de poesia: VASCONCELOS, Dinarte, 2012, «a viagem - a casa», Funchal, Ed. Autor, 80 pp., ISBN: 978-989-20-3025-8.
É uma edição de autor; custa a módica quantia de 10 €; e alberga 94 poemas.
Conto com o vosso interesse!
[Os interessados poderão solicitá-lo através do endereço de email ou da caixa de comentários a este post.]
«morrem velhos
os construtores de catedrais
ao princípio deus despreza-os
por serem homens de poesia
métrica arrancada do tempo
e não soletrarem o relâmpago
da noite assombrada
por isso é que têm apenas distância
e mãos calosas
– os dedos por cunhas
entre as pedras desmoronadas
e novamente equilibradas –
o edifício é maior
do que os ventos que o derrubam
no fim deus
reconhecendo a injustiça
recebe-os como filhos pródigos
curvados dos juízos e das decisões» [p. 68]
Poemas para o Dia Seguinte
Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
Sábado, 14 de Janeiro de 2012
Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011
dias sem poesia
estes
nas superfícies rançosas
das mesas de café
quando a tempestade
- ou a deflagração do incêndio -
ficam em lembrança para um outro dia
um outro dia
que não este
e quando o bloqueio surge
nos tendões do possesso
opto por lembrar
que a tormenta e o fogo
são os subterfúgios espúrios
- opto por ficar
litania e panaceia
à mão de semear
estes
nas superfícies rançosas
das mesas de café
quando a tempestade
- ou a deflagração do incêndio -
ficam em lembrança para um outro dia
um outro dia
que não este
e quando o bloqueio surge
nos tendões do possesso
opto por lembrar
que a tormenta e o fogo
são os subterfúgios espúrios
- opto por ficar
litania e panaceia
à mão de semear
Domingo, 13 de Novembro de 2011
queimo a ponte
por onde me alcançarias
faço-te um favor -
podia accionar o isqueiro
quando estivesses a atravessar
[podia]
construí e percorri sozinho
a ponte de madeira
[desmembrei a carnadura
e o esqueleto da minha casa
e as traves e o tabuado
que me albergavam
são agora um caminho
lasso - sem retorno]
o muito que se poderia fazer
com gasolina azul de 98 octanas
[pensam o cínico e o joker
ambos de bocas rasgadas]
por isso farei o que quero
e farei o que posso
acabado o último cigarro
por onde me alcançarias
faço-te um favor -
podia accionar o isqueiro
quando estivesses a atravessar
[podia]
construí e percorri sozinho
a ponte de madeira
[desmembrei a carnadura
e o esqueleto da minha casa
e as traves e o tabuado
que me albergavam
são agora um caminho
lasso - sem retorno]
o muito que se poderia fazer
com gasolina azul de 98 octanas
[pensam o cínico e o joker
ambos de bocas rasgadas]
por isso farei o que quero
e farei o que posso
acabado o último cigarro
Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011
Terça-feira, 1 de Novembro de 2011
ao diante
o choro de um ninho de larvas
ruidosas na minha absorta autofagia
não choro com elas
mas a contemplação faz-me vir à tona
[à tona de quê
começar o poema com a fúria
de saber o mundo aniquilando-o
porém o início é sempre o
da desconfiança das palavras
instrumentos que oscilam
entre árias e vozes guturais
instrumentos de desconhecimento
onde não surjo nem me denuncio
onde não me descubro
por mais que sejam desmembradas as letras
com as interpretações profanadas
foda-se - à tona de quê]
atrás
o choro de mil larvas senis
liquidadas na minha perene autofagia
de que serve chorar com elas
a contemplação não me faz vir à tona
o choro de um ninho de larvas
ruidosas na minha absorta autofagia
não choro com elas
mas a contemplação faz-me vir à tona
[à tona de quê
começar o poema com a fúria
de saber o mundo aniquilando-o
porém o início é sempre o
da desconfiança das palavras
instrumentos que oscilam
entre árias e vozes guturais
instrumentos de desconhecimento
onde não surjo nem me denuncio
onde não me descubro
por mais que sejam desmembradas as letras
com as interpretações profanadas
foda-se - à tona de quê]
atrás
o choro de mil larvas senis
liquidadas na minha perene autofagia
de que serve chorar com elas
a contemplação não me faz vir à tona
Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
faltas-me tu - inimigo
ninguém mais
para que possa cumprir-me
olho-te na testa - e faço-te
cuspir sangue na minha cara
com as unhas
perfuro-te o abdómen
e sinto as vísceras fedorentas
sou indestrutível
- preciso do teu sangue
para dissolver o meu sangue
e da culpa e da raiva
fecundas -
que me aplaquem de verdade
preciso da dissonância engolida
que da tua boca brote
para esquecer o que se segue
entre um morto e um ferido
fico eu aqui - a pairar
sem último sacramento
ninguém mais
para que possa cumprir-me
olho-te na testa - e faço-te
cuspir sangue na minha cara
com as unhas
perfuro-te o abdómen
e sinto as vísceras fedorentas
sou indestrutível
- preciso do teu sangue
para dissolver o meu sangue
e da culpa e da raiva
fecundas -
que me aplaquem de verdade
preciso da dissonância engolida
que da tua boca brote
para esquecer o que se segue
entre um morto e um ferido
fico eu aqui - a pairar
sem último sacramento
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