domingo, 1 de março de 2026

estou limpo – sucinto afinal –
de toda maledicência
 
engulo-a como ao tornado
que a garganta arrepanha
 
[a cria de pássaro
de bico em losango]
 
trago sons grotescos
e a surdez da posteridade
 
depois sirvo-me nódoa
à mesa da aristocracia
 
pode ela distraída
degustar o suor
 
que do meu corpo
flui ácido
 
[emerge visão
após outra visão]
 
sirvo-me de argumento estanque
– idiota útil e enxuto –
 
simples no dever
frouxo ao devir
 
no entretanto peço
anuência branda
 
sobre a seiva incontinente
e a sujidade gasta
 
[desejo imagem
após outra imagem]
 
ao canto esquerdo
levanto-me formidável
 
e corcunda enfiado
ao canto direito sou
 
no fundo quero saber
o autor destas cenas
 
[a progenitora de ave
de bico em tesoura]
 
desiludido – enfim sucinto –
tomo cinza e cal
 
e vou com fome
à minha vida