o homem que quer a liberdade
esfrega coragem e covardia
na face do tempo de todos os dias
esta peleja não espera por confidências
este alfabeto não soletra sílabas surdas
o homem que quer ser livre
não tem cara – tem esgares
não tem pele – tem corrosão amarelecida
não tem mudez – tem punho
não tem corpo – tem bússola lunar
não tem assinatura – tem selo e lacre
não tem morada – tem a rua
não tem calor nem frio – tem medo
não tem amarras – tem pontos de fuga
não tem amor e não tem filhos –
o tempo acaba sempre no mesmo eu
venha – não venha
a face da morte de todos os dias