quinta-feira, 22 de outubro de 2026

sei que o teu mundo
é povoado de pesadelos

- o meu também -

prendo a escuridão do quarto
à procura de confirmação

e fico a admirar a beleza
e a mansetude do horrendo

no pêndulo sonâmbulo
de tempos nunca extintos

*
* *

sei que o vosso destino
é sulcado de quedas

- também eu caí -

encaro as alturas desta rua
em cata de justificação

e fico a remoer a certeza
e a surpresa da espera

na emboscada vigilante
de curvas sempre mortais

*
* *

sei que o nosso olvido
é apagado de cicatrizes

- eu e tu usamos a dor –

cravas estiletes na cabeça
em protesto de lembrança

mas fico a fechar as cortinas
e o alçapão das velharias

na casa renunciada
de crónicas nunca recordadas

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