sei que o teu mundo
é povoado de pesadelos
é povoado de pesadelos
- o meu também -
prendo a escuridão do quarto
à procura de confirmação
à procura de confirmação
e fico a admirar a beleza
e a mansetude do horrendo
e a mansetude do horrendo
no pêndulo sonâmbulo
de tempos nunca extintos
de tempos nunca extintos
*
* *
sei que o vosso destino
é sulcado de quedas
é sulcado de quedas
- também eu caí -
encaro as alturas desta rua
em cata de justificação
em cata de justificação
e fico a remoer a certeza
e a surpresa da espera
e a surpresa da espera
na emboscada vigilante
de curvas sempre mortais
de curvas sempre mortais
*
* *
sei que o nosso olvido
é apagado de cicatrizes
é apagado de cicatrizes
- eu e tu usamos a dor –
cravas estiletes na cabeça
em protesto de lembrança
em protesto de lembrança
mas fico a fechar as cortinas
e o alçapão das velharias
e o alçapão das velharias
na casa renunciada
de crónicas nunca recordadas
de crónicas nunca recordadas
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