estou limpo – sucinto afinal –
de toda maledicência
de toda maledicência
sorvo-a como tornado
que a garganta enreda
[a cria de pássaro
de bico em losango]
saciado de sons guturais
a surdez da posteridade
sirvo-me depois nódoa
à mesa da aristocracia
pode ela agora distraída
degustar a seiva
que flui ácida
do meu corpo ressecado
[a progenitora de ave
de bico em tesoura]
sirvo-me de argumento estanque
idiota útil e enxuto
incontinente no dever
frouxo no devir
ao canto esquerdo
levanto-me formidável
ao canto direito
sou corcunda enfiado
[crias e progenitoras no ninho
de bicos vindicativos]
limpo – enfim sucinto –
de toda fome
tomo cal e silva
e volto ao princípio
Sem comentários:
Enviar um comentário