quinta-feira, 22 de outubro de 2026

adiante
o choro de um ninho de larvas
ruidosas na minha absorta autofagia

não choro com elas
– mas a contemplação traz-me à tona


[à tona de quê?

o princípio do poema – a fúria
de saber o mundo em vórtice

o princípio do mundo – o cisma
de desconfiar das palavras em degelo

simétricos instrumentos – ecos
que oscilam entre árias e borbotões

abafados instrumentos – traços
onde não descubro nem denuncio

afogadas as palavras
profanado o sentido

submersas as palavras
paralisada a derrota

à tona exactamente de quê?]


atrás
o choro de mil larvas senis
liquidadas na minha pasmada autofagia

de que serve chorar com elas
– a contemplação não me puxa à tona

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