estás na margem
lanço-te meus braços
lanço-te meus braços
duas correntes com arpões trespassam-te
para trás – digo eu
para dentro – dizes tu
teus olhos como claustro
duas correntes com arpões engolem-te
para as vésperas de uma enxurrada inteira
– grita o sangue – grita a carne
para as vésperas de uma enxurrada inteira
– grita o sangue – grita a carne
teus olhos como odres fendidos
correntes – arpões – catapultas
– diz minha convicção para minha consciência –
lançando fileiras de muralhas de cidadelas
– diz minha convicção para minha consciência –
lançando fileiras de muralhas de cidadelas
teu corpo como exoesqueleto de meus detritos
assinatura falsificada – armas encovadas
– grita meu silêncio para minha voz –
forjando uma cabeça de guerra invertida
– grita meu silêncio para minha voz –
forjando uma cabeça de guerra invertida
tua alma como endoesqueleto – confuso – à espera
estou nas margens
lança-me teus braços
lança-me teus braços
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