quinta-feira, 24 de setembro de 2026

estás na margem
lanço-te meus braços

duas correntes com arpões trespassam-te
para trás – digo eu
para dentro – dizes tu

teus olhos como claustro

duas correntes com arpões engolem-te
para as vésperas de uma enxurrada inteira
– grita o sangue – grita a carne

teus olhos como odres fendidos

correntes – arpões – catapultas
– diz minha convicção para minha consciência –
lançando fileiras de muralhas de cidadelas

teu corpo como exoesqueleto de meus detritos

assinatura falsificada – armas encovadas
– grita meu silêncio para minha voz –
forjando uma cabeça de guerra invertida

tua alma como endoesqueleto – confuso – à espera

estou nas margens
lança-me teus braços

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