sábado, 26 de setembro de 2026

estás na margem
lanço-te os braços
 
correntes com arpões trespassam-te
para trás – digo eu
para dentro – dizes tu
 
os teus olhos como claustro
 
correntes com arpões engolem-te
para as vésperas de uma enxurrada inteira
– grita o sangue – grita a carne
 
os teus olhos como odres fendidos
 
correntes – arpões – catapultas
– diz a convicção para a consciência –
lançando muralhas de cidadelas
 
o teu corpo – armadura – dos meus detritos
 
assinatura falsificada – armas encovadas
– grita o silêncio para a voz –
forjando uma cabeça de guerra invertida
 
a tua alma – armadura – dos meus motins
 
estou nas margens
lança-me os braços

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