8432 viúvas
passeiam-se insolúveis
como uvas
de estragada parra - de farra tramada
valem muito - não valem nada
viúvas em número de 8432
umas alheias - outras janotas com andeiras
às ilhargas - caveiras
e deleite estampado nos rostos
caminham
sem eira - nem beira
não são bem - nem mal
apenas vão acompanhadas de seu igual
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
há o nevoeiro da complexidade
em todas as definições
sei-o cada vez mais
e sinto o bafo de maquiavel
junto à orelha saliente
em fôlegos de palavras rasantes
[entre um voo existencialista
e a profundidade impressionista
escolham os sentidos]
a verdade é que prossigo a derrota
_________
há o refúgio na complexidade
líquida das definições
digo eu que ouço um cão
a ladrar ao ouvido
profecias do fim
iminente ou idiótico
[entre os meandros do irrelevante
venha o diabo e escolha]
viro a testa e desapareço
a contentar o dia-a-dia
________
há o escudo da complexidade
- e da claridade - das definições
digo para mim que sinto
o príncipe a murmurar
invejas e proventos
do passado e do futuro
[entre o sucesso e o insucesso
escolha-se o que tiver de ser]
viro as costas e faço rumo
a arrostar o tempo
em todas as definições
sei-o cada vez mais
e sinto o bafo de maquiavel
junto à orelha saliente
em fôlegos de palavras rasantes
[entre um voo existencialista
e a profundidade impressionista
escolham os sentidos]
a verdade é que prossigo a derrota
_________
há o refúgio na complexidade
líquida das definições
digo eu que ouço um cão
a ladrar ao ouvido
profecias do fim
iminente ou idiótico
[entre os meandros do irrelevante
venha o diabo e escolha]
viro a testa e desapareço
a contentar o dia-a-dia
________
há o escudo da complexidade
- e da claridade - das definições
digo para mim que sinto
o príncipe a murmurar
invejas e proventos
do passado e do futuro
[entre o sucesso e o insucesso
escolha-se o que tiver de ser]
viro as costas e faço rumo
a arrostar o tempo
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
pássaro
pássaro de mel
pássaro de fogo
pássaro cristal
pássaro demiurgo
o teu grito atroz
é o relâmpago do degelo
[em chamas o eucalipto
em carvão o dragoeiro]
pássaro na tormenta
raio de luz que trespassa
pássaro insígnia
pássaro cruz
pássaro brisa de sal
pássaro melodia
o teu grito sibilino
nos ouvidos ecoa – lâmina
roças as tuas penas
na sempiterna arriba
[o sempiterno afago
que é do teu olhar]
água bebo – fria –
do teu ventre
[o ventre do vírus
pássaro meu invólucro]
o teu grito pulveriza
as matérias em redor
grito cristal
que é a vida minúscula
[em toda a célula
em toda a arquitectura]
o teu grito incendeia
as alamedas em síncope
o grito assassino
que dos teus lábios brota
é a origem dos esgares
que de todos os lábios fluem
o teu grito palavra
o grito poema
somam as peças do jogo
e trespassam as regras
o teu grito quebra
as sombras aladas
pássaro de musgo
pássaro líquen
pássaro azul cinza
pássaro cabo do mundo
pássaro de mel
pássaro de fogo
pássaro cristal
pássaro demiurgo
o teu grito atroz
é o relâmpago do degelo
[em chamas o eucalipto
em carvão o dragoeiro]
pássaro na tormenta
raio de luz que trespassa
pássaro insígnia
pássaro cruz
pássaro brisa de sal
pássaro melodia
o teu grito sibilino
nos ouvidos ecoa – lâmina
roças as tuas penas
na sempiterna arriba
[o sempiterno afago
que é do teu olhar]
água bebo – fria –
do teu ventre
[o ventre do vírus
pássaro meu invólucro]
o teu grito pulveriza
as matérias em redor
grito cristal
que é a vida minúscula
[em toda a célula
em toda a arquitectura]
o teu grito incendeia
as alamedas em síncope
o grito assassino
que dos teus lábios brota
é a origem dos esgares
que de todos os lábios fluem
o teu grito palavra
o grito poema
somam as peças do jogo
e trespassam as regras
o teu grito quebra
as sombras aladas
pássaro de musgo
pássaro líquen
pássaro azul cinza
pássaro cabo do mundo
sábado, 9 de fevereiro de 2013
tudo
menos a subconsciência da esterilidade
- a manhã assustadiça acossada pela luz
escondida na esquina do quarto
de garganta a fibrilhar como o insecto
retirai tudo
menos a inconsciência das pedras angulares
- a manhã a tarde a noite mescladas
aspergidas em qualquer canto da urbe terrestre
de vísceras murmurantes como o sismo
menos a subconsciência da esterilidade
- a manhã assustadiça acossada pela luz
escondida na esquina do quarto
de garganta a fibrilhar como o insecto
retirai tudo
menos a inconsciência das pedras angulares
- a manhã a tarde a noite mescladas
aspergidas em qualquer canto da urbe terrestre
de vísceras murmurantes como o sismo
sexta-feira, 18 de maio de 2012
a viagem - a casa
Acabo de publicar o meu primeiro livro de poesia: VASCONCELOS, Dinarte, 2012, «a viagem - a casa», Funchal, Ed. Autor, 80 pp., ISBN: 978-989-20-3025-8.
É uma edição de autor; custa a módica quantia de 10 €; e alberga 94 poemas.
Conto com o vosso interesse!
[Os interessados poderão solicitá-lo através do endereço de email ou da caixa de comentários a este post.]
«morrem velhos
os construtores de catedrais
ao princípio deus despreza-os
por serem homens de poesia
métrica arrancada do tempo
e não soletrarem o relâmpago
da noite assombrada
por isso é que têm apenas distância
e mãos calosas
– os dedos por cunhas
entre as pedras desmoronadas
e novamente equilibradas –
o edifício é maior
do que os ventos que o derrubam
no fim deus
reconhecendo a injustiça
recebe-os como filhos pródigos
curvados dos juízos e das decisões» [p. 68]
É uma edição de autor; custa a módica quantia de 10 €; e alberga 94 poemas.
Conto com o vosso interesse!
[Os interessados poderão solicitá-lo através do endereço de email ou da caixa de comentários a este post.]
«morrem velhos
os construtores de catedrais
ao princípio deus despreza-os
por serem homens de poesia
métrica arrancada do tempo
e não soletrarem o relâmpago
da noite assombrada
por isso é que têm apenas distância
e mãos calosas
– os dedos por cunhas
entre as pedras desmoronadas
e novamente equilibradas –
o edifício é maior
do que os ventos que o derrubam
no fim deus
reconhecendo a injustiça
recebe-os como filhos pródigos
curvados dos juízos e das decisões» [p. 68]
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
ao diante
o choro de um ninho de larvas
ruidosas na minha absorta autofagia
não choro com elas
mas a contemplação faz-me vir à tona
[à tona de quê
começar o poema com a fúria
de saber o mundo aniquilando-o
porém o início é sempre o
da desconfiança das palavras
instrumentos que oscilam
entre árias e vozes guturais
instrumentos de desconhecimento
onde não surjo nem me denuncio
onde não me descubro
por mais que sejam desmembradas as letras
com as interpretações profanadas
foda-se - à tona de quê]
atrás
o choro de mil larvas senis
liquidadas na minha perene autofagia
de que serve chorar com elas
a contemplação não me faz vir à tona
o choro de um ninho de larvas
ruidosas na minha absorta autofagia
não choro com elas
mas a contemplação faz-me vir à tona
[à tona de quê
começar o poema com a fúria
de saber o mundo aniquilando-o
porém o início é sempre o
da desconfiança das palavras
instrumentos que oscilam
entre árias e vozes guturais
instrumentos de desconhecimento
onde não surjo nem me denuncio
onde não me descubro
por mais que sejam desmembradas as letras
com as interpretações profanadas
foda-se - à tona de quê]
atrás
o choro de mil larvas senis
liquidadas na minha perene autofagia
de que serve chorar com elas
a contemplação não me faz vir à tona
terça-feira, 25 de outubro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
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